Desenv. Software *Util* em Cadeiras, Iniciativa Mundial

Caros Colegas,

== Introdução, Reunião/Votação do dia ==

As condições estão reunidas para se poder iniciar um projecto de impacto global para o ensino superior da área de informática, no qual os Estudantes de Informática de Lisboa terão o papel determinante na condução dos trabalhos iniciais.

Para apresentar o trabalho já desenvolvido, obter as vossas contribuições cruciais e nos organizarmos para esta iniciativa, está marcada uma reunião no ISCTE, às 17h30, num dia da semana de 3 a 7 de Julho, o qual é posto à votação em http://groups.yahoo.com/group/inf_est_lx/surveys?id=2264011.

No seguimento desta comunicação serão apresentados os argumentos que levaram esta iniciativa a tomar forma.

Existem dois modos de envolvimento nesta iniciativa, através do desenvolvimento de software em projectos pilotos nas cadeiras (e comentando o seu desenvolvimento), ou participando na organização da iniciativa, o que implica a comunicação com as mais diversas organizações e pessoas a nível mundial, que poderão ter interesse no assunto, mantendo um portal de discussão sobre o assunto. Um terceiro modo de envolvimento, que é um pouco mais distante, será através da organização de um evento de cariz internacional para o verão de 2008, sendo este assunto o seu tema central. Poderão se envolver de um ou mais modos.

Caso tenham essa possibilidade, façam chegar esta informação aos vossos colegas via email, fóruns de discussão, blogs, etc.

==> Conteúdo da comunicação:
– Problemática; como a ideia inicial ganhou momento
– Free/Livre/Open Source Software (FLOSS) Development in Higher Education
– Em que consiste a iniciativa?
— Exemplo
— Mas isto não são trabalhos finais de curso?
— Evento associado
– Quem está por detrás da iniciativa?
– Porque é que é esta a altura ideal para avançar?
– O que pode ser feito até à reunião?

== Problemática; como a ideia inicial ganhou momento ==

A Sociedade do Conhecimento não é apenas mais um conceito visionário,
é actualmente um modo de vida. As organizações de todos os sectores
estão gradualmente a focar mais intensivamente o seu trabalho na
gestão do conhecimento da respectiva área. Os cidadãos baseiam o seu
modo de vida na constante pesquisa, filtragem e aplicação de
informação, por forma a gerarem conhecimento que lhes proporcionem
melhores condições para as suas vidas pessoais e profissionais. O
trabalho cooperativo, remoto e em tempo real à escala mundial, é um
dado já adquirido que está desencadeando um leque extensivo de novas
oportunidades para a humanidade.

Estamos perante grandes mudanças paradigmáticas na nossa sociedade no
que se refere ao uso extensivo das Tecnologias de Informação /
Sistemas de Informação. Nós (estudantes de informática) e os que
virão, determinarão o futuro da implementação tecnológica desta
referida Sociedade do Conhecimento. Para garantirmos o sucesso
(evitando excessivos remendos futuros, que desperdiçará recursos
necessários para outras áreas), a qualidade dos profissionais terá de
atingir níveis elevados.

O trabalho na área de Informática, cada vez mais se foca na adaptação
e integração de componentes já existentes, formando uma solução única
para cada cliente. A área de consultoria, pelo menos em Portugal, é
entre 80% a 90% do mercado de trabalho em informática. O perfil
requisitado para os actuais e futuros profissionais é um novo tipo de
“informático”, alguém com um repertório alargado de competências
socio-técnicas, para além do tradicional domínio sólido das
tecnologias. É necessário ter sensibilidade para encontrar as
necessidades do cliente, compreender as mudanças organizacionais que
os sistemas de informação poderão trazer à organização, bem como ser
conscientemente pro-activos para o que as nossas acções poderão
desencadear na sociedade global. Isto, claro está, trabalhando
eficientemente em equipa, em qualquer parte do mundo, lidando com
culturas distintas.

Os actuais currículos dos nossos cursos ainda não rentabilizam o nosso
tempo para o que o mercado (e nós) necessitamos, mesmo tendo em conta
as recentes reformas induzidas pelo Processo de Bolonha.

Tendo por objectivo formar melhores profissionais na área de
informática para o mercado global do conhecimento, mantendo a
qualidade técnica e *não* sobrecarregando a carga semestral, uma
solução é proposta.

== Free/Livre/Open Source Software (FLOSS) Development in Higher
Education ==

Antes de prosseguir, duas notas:
— O foco nesta solução é na metodologia de desenvolvimento FLOSS
(as competências que se adquirem através do processo), e não no
incentivo de utilização/adopção das soluções FLOSS;
— Há dúvidas persistentes, como o caso de se pensar que FLOSS é só
Linux, o que é incorrecto. Por exemplo, uma solução FLOSS pode ser uma
aplicação móvel .NET a correr sobre Windows CE.

O objectivo é ao longo dos cursos da área de informática, colocar
problemas reais de SI/TI, dando aos estudantes a possibilidade de
realizar trabalhos/projectos *úteis* que sirvam pessoas e
organizações, em vez dos tradicionais projectos académicos que estão
desprovidos de qualquer utilidade após a sua conclusão e avaliação.

Os trabalhos podem ser apenas acrescento de funcionalidades, não têm
de ser (e não devem na maioria dos casos ser) projectos feitos de raiz.

A metodologia de desenvolvimento FLOSS, proporcionará experiências
enriquecedoras aos estudantes, professores e organizações envolvidos
no desenrolar dos trabalhos, pois irá expor os intervenientes
(principalmente os estudantes) ao mundo real que está em constante
mudança.

Nas cadeiras, ao ter os estudantes a ler código de aplicações já
existentes relevantes à matéria, e acrescentando funcionalidades
(deixando aberto para os próximos pegarem onde os anteriores
deixaram), o exercício de compreensão de soluções feitas por outras
pessoas, preparará melhor os estudantes para o mercado de trabalho,
pois hoje em dia se torna cada vez mais raro começar projectos do zero.

Esta metodologia permite desenvolver trabalhos entre universidades,
até de diferentes países, colocando internacionalização e
desenvolvimento remoto como outros factores de aprendizagem.

Outras competências, como empreendedorismo, adaptação, integração e,
trabalho de equipa, serão naturalmente absorvidas ao longo do curso
pelos estudantes envolvidos nesta metodologia, gastando o mesmo tempo
na aprendizagem que os da forma clássica de ensino de tecnologias de
informação, ficando mais bem preparados para o mercado de trabalho.

== Em que consiste exactamente a iniciativa? ==

Consiste entre todos os intervenientes (estudantes, professores e
organizações), debater os pormenores, trocar experiências e lançar
ideias. Isto através de um Sistema de Gestão de Conteúdos (CMS) a ser
escolhido nesta primeira fase (até Setembro). Terá em princípio,
componentes de discussão (fórum), notícias (tipo blog), documentação
(wiki) e uma estrutura para registar e gerir trabalhos/projectos na
sua componente de relato da experiência.

É necessário compreender quais as melhores formas de execução e
avaliação, bem como colocar pessoas com interesses comuns de
diferentes áreas em contacto umas com as outras. Esta iniciativa
realiza-se eficientemente fazendo um debate comunitário global, pois
acelerará muito o processo em comparação com o de colocar uma comissão
a investigar o assunto. Os estudantes de informática de Lisboa ficarão
encarregues de lançar e motivar a discussão inicial, pois um grupo
local com possibilidade de encontros presenciais (mas de diferentes
instituições de ensino superior) é visto de momento como a melhor
estrutura para a fase inicial (em princípio até Outubro).

A organização central (que envolverá a seu tempos, estudantes de todo
o mundo) ficará encarregue de lançar e manter o portal CMS, bem como
contactar pessoas e organizações, a nível internacional, interessadas
em participar na discussão.

Outros estudantes (ou os mesmos) deverão propor aos professores de
cadeiras que irão ter no próximo semestre, projectos pilotos em que se
utiliza a metodologia FLOSS, comentando o desenrolar do
desenvolvimento no referido portal.

A iniciativa não deve ser encarada como uma tentativa de mudança
brusca no modo de ensino de TI, englobando todas as cadeiras, mas sim
de uma forma gradual de experimentação de novas formas de ensino em
algumas cadeiras, em diferentes partes do mundo.

=== Exemplo ===

[a referência técnica ao reconhecimento de voz móvel serve apenas para
efeitos de compreensão da estrutura organizacional e processual]

Um grupo de três estudantes de uma universidade em Lisboa contacta o
professor responsável por uma cadeira de Aplicações Móveis, cadeira
essa que os estudantes irão se inscrever no próximo semestre. Os
estudantes propõem converter o sistema de reconhecimento de voz FLOSS
que existe já para PC, por forma a correr em PDAs.

Na cadeira continua a haver um enunciado típico para os restantes
estudantes, enquanto que estes estudantes com iniciativa desenvolvem o
projecto proposto em vez do outro. Por acaso, o professor conhece um
colega docente na Universidade do Porto e outro no MIT que estariam
interessados em participar no projecto, os quais arranjam cada um,
dois estudantes interessados em cadeiras similares. Olhando em volta
das universidades, existem várias empresas que estarão dispostas a
colaborar no desenvolvimento (requisitos) e teste da aplicação, pois
os seus negócios poderão beneficiar significativamente.

Os estudantes criam um projecto no Sourceforge.net, derivando o
projecto livre existente para PC, preparando a plataforma de
desenvolvimento para todos os envolvidos.

Ao longo do projecto (ou só no final do semestre), os professores,
estudantes e empresas vão comentando os erros e sucessos deste
projecto no portal desta iniciativa, contribuindo para a aprendizagem
cooperativa entre diversos projectos pilotos.

Findo o semestre, e caso a solução não seja ainda final, no semestre
seguinte, outros estudantes e universidades poderão participar mais
eficientemente na continuação do desenvolvimento já apresentado,
retirando melhores técnicas organizativas de outras experiências
piloto já realizadas.

=== Mas isto não são trabalhos finais de curso? ===

De certa forma esta iniciativa pode ser encarada como mini trabalhos
finais de curso.

Nas engenharias tradicionais, tipicamente um projecto útil só poderá
ser realizado após uma larga aprendizagem teórica e prática, ou seja
no final do curso.

No caso da informática (e não apenas referindo à engenharia
informática), é possível desenvolver soluções úteis já a partir do 2º
ano curricular, caso as ferramentas correctas tenham sido ensinadas
aos estudantes no 1º ano. Isto tudo porque a capacidade de abstracção
e o facto de tipicamente um programa falhar não ser motivo de grande
alarme (como seria a queda de uma ponte real no caso da engenharia
civil), permite aos estudantes desenvolver trabalhos/projectos úteis
bem antes de terem todas as bases teóricas e práticas.

=== No início desta comunicação há uma referência a um evento, de que
se trata? ===

Uma iniciativa aliada a um evento presencial permite que se consiga
focar os objectivos.

A ideia proposta é se organizar um Encontro Internacional de
Estudantes de Informática em Lisboa (nome a ser escolhido). Dois anos
é o tempo necessário de preparação para algo desta magnitude, bem como
haver já suficientes projectos pilotos realizados para servir de
matéria ao tema central.

Os estudantes de informática de Lisboa, quando prepararam a proposta
para o 2º Encontro Nacional de Estudantes de Informática em Lisboa
(que acabou por ser em Évora), fizeram um levantamento das várias
estruturas e recursos que permitem albergar este tipo de eventos. No
verão, há uma grande vantagem que o ENEI não possui, existem muitas
residências de estudantes que se encontram livres.

ENEI: http://www.enei.net/

Um ponto de partida para a visualização deste tipo de evento é o
International Conference for Physics Students. A página mais bem
organizado de um ICPS recente é o http://www.icps.sdu.dk/ (ICPS 2003).

Outro facto é Encontro Nacional de Estudantes de Informática (ENEI)
estar a evoluir em Portugal, devendo estar bastante maduro quando um
evento internacional se realizar cá.

Há que ter em conta que o ENEI é diferente de outros encontros de
estudantes pois a comissão organizadora envolve pessoas de diferentes
instituições de ensino, utilizando eficientemente meios de comunicação
e realização de trabalho através da web. No caso de um encontro
internacional, esta filosofia dever-se-á manter, envolvendo estudantes
de diferentes continentes na organização do evento.

== Quem é que desenvolveu o trabalho até agora? ==

Tudo o que se encontra nesta comunicação, e o que será apresentado na
reunião, é trabalho realizado nos últimos meses envolvendo alguns
estudantes de informática de Lisboa, mais nomeadamente da FCT-UNL,
ISCTE, IST e Lusíada, bem como opiniões soltas de professores e
empresas. Alguns destes estudantes já participaram em parte, ou em
todo, na organização do 2º Encontro Nacional de Estudantes de Informática.

Os moldes propostos nesta comunicação são resultado de um consenso que
poderá ser alterado na próxima reunião, pois isto é apenas um ponto de
partida, nada é fixo. Um ponto de vista mais esclarecido poderá
reencaminhar as intenções desta iniciativa.

== Porque é que é esta a altura ideal para avançar? ==

O país e a Europa encontram-se politicamente interessados em investir
em desenvolvimento tecnológico, a apostar forte na Sociedade do
Conhecimento.

Aliado ao facto de estarmos em pleno processo de alterações
curriculares nos nossos cursos, resultado do Processo de Bolonha, o
ambiente é favorável
ao debate de novas iniciativas cooperativas.

Do que temos investigado na web, nada se refere directamente a este
tipo de iniciativa, apenas umas referências a elementos dispersos.

Caso não avancemos nós, alguém há-de o fazer.

== E agora, o que pode ser feito até à reunião? ==

Todas as discussões, pelo menos até à data da reunião, deverão se
manter centralizadas no Grupo Yahoo dos Estudantes de Informática de
Lisboa: http://groups.yahoo.com/groups/inf_est_lx/ . A inscrição é
livre, mas moderada, portanto indiquem sff quem são (nome, instituição
de ensino e curso).

Aqui fica de novo o link de novo para a votação da data da reunião
(caso já estejam registados):
http://groups.yahoo.com/group/inf_est_lx/surveys?id=2264011

Cumprimentos e o desejo da continuação de uma boa época de exames,

Pedro Palhoto
LEIC, IST

June 25, 2006. academia.

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